Matéria Mensal: Dança do Ventre

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Novembro-Dezembro/2011

Dança Baladi

Em árabe, significa “minha terra” ou “caipira” dentro das cidades, sendo uma dança popular realizada por mulheres e homens em casa, nas festas domésticas, etc, podendo ser feita também em caráter solo. Não é uma dança folclórica, que costuma se limitar a determinado grupo étnico. É a dança do dia-a-dia no Egito.

A roupa que melhor representa um baladi popular é a galabia, com lenço na cabeça e no quadril. Mas a roupa de Dança do Ventre pode ser utilizada, de preferência com a barriga tampada com um vual, já que é uma dança popular. A escolha das roupas sempre depende do contexto que você estará: show, festa da colônia, teatro, etc. Os snujs podem complementar a dança.

A improvisação vocal (maual) ou instrumental (taksim) está sempre presente na dança baladi. O maual é a introdução vocal que o árabe faz; descende de um canto religioso segundo alguns estudiosos. São momentos em que o cantor é dominado por seus sentimentos, geralmente relatando histórias de amor ou desilusões.

Na dança baladi, os instrumentos mais presentes são a nay, alaúde, kanoon e o acordeon. O acordeon é um instrumento francês e não se sabe como chegou ao Egito e se tornou seu instrumento mais importante. Ele é muito utilizado na entrada como taksim, em que a percussão entrará depois. “Pergunta e resposta” entre dois instrumentos é bem comum nessa dança.

A bailarina brasileira Maira Magno considera 3 tipos de baladi:

- Alexandria (meleah-laff)
- Sul do Egito (saaid e ghawazee)
- Norte do Egito

Os gipsy usam a nay e a rababa com a estrutura do baladi, incorporando o acordeon dos turcos em torno de 1700. As ghawazee são do norte do Egito, vindo da Turquia; porém atualmente, eles se concentram mais no sul, como em Luxor. A bailarina egípcia Fifi Abdo costuma representar um baladi mais ghawazee, que não é uma dança bem vista pelos egípcios. Ela representa uma personagem popular, a Marlena, que o bailarino egípcio Mahmoud Reda levou aos palcos com a dança meleah laff.

Os saaid são considerados os verdadeiros egípcios e sua dança, normalmente representada com “as-saya”, ou seja, bastão.

A bailarina egípcia Souhair Zaki é do norte do Egito e é a maior representante da dança baladi (da forma mais conhecida aqui no Brasil). Ela é especializada em Oum Kholsoum e baladi, tendo uma dança mais doce, mais introspectiva, mais típica do interior. Essa dança tem que parecer uma improvisação, porque ela é improvisada culturalmente! As egípcias usam tanto as mãos quanto o quadril, com pouco braço e o tronco mais parado que puder. Oitos e camelos são pequenos e os redondos são usados mais para deslocamento.

Quando o baladi é cantado, pode ser chamado de Shaabi, que é uma palavra árabe para folclore no Marrocos, porém no Egito, é uma dança urbana das classes D e E. São músicas que falam sobre o cotidiano dessas classes, muitas vezes, sobre temáticas pejorativas. Para representar um shaabi autêntico, não se deve estar preocupado em seguir a música, apenas dançar, sendo menos complexo possível, permitir-se. Os maiores cantores do estilo atualmente no Egito são Hakim e Saad el Soghayer.

Fifi Abdo com um delicioso baladi:

Aqui, Saida com um baladi mais moderno:

Maira Magno, com seu baladi inspirador:

Um baladi mais "folk", cantado por Fatme Serhan, por Samira:

Saad el Soghayer e a participação da Dina, em uma música de duplo sentido, óbvio:

Bauce kabir,


Hanna Aisha
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