Matérias Passadas: Dança do Ventre

Neste link se encontram matérias variadas sobre Dança do Ventre.

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Novembro-Dezembro/2011

Dança Baladi

Em árabe, significa “minha terra” ou “caipira” dentro das cidades, sendo uma dança popular realizada por mulheres e homens em casa, nas festas domésticas, etc, podendo ser feita também em caráter solo. Não é uma dança folclórica, que costuma se limitar a determinado grupo étnico. É a dança do dia-a-dia no Egito.

A roupa que melhor representa um baladi popular é a galabia, com lenço na cabeça e no quadril. Mas a roupa de Dança do Ventre pode ser utilizada, de preferência com a barriga tampada com um vual, já que é uma dança popular. A escolha das roupas sempre depende do contexto que você estará: show, festa da colônia, teatro, etc. Os snujs podem complementar a dança.

A improvisação vocal (maual) ou instrumental (taksim) está sempre presente na dança baladi. O maual é a introdução vocal que o árabe faz; descende de um canto religioso segundo alguns estudiosos. São momentos em que o cantor é dominado por seus sentimentos, geralmente relatando histórias de amor ou desilusões.

Na dança baladi, os instrumentos mais presentes são a nay, alaúde, kanoon e o acordeon. O acordeon é um instrumento francês e não se sabe como chegou ao Egito e se tornou seu instrumento mais importante. Ele é muito utilizado na entrada como taksim, em que a percussão entrará depois. “Pergunta e resposta” entre dois instrumentos é bem comum nessa dança.

A bailarina brasileira Maira Magno considera 3 tipos de baladi:

- Alexandria (meleah-laff)
- Sul do Egito (saaid e ghawazee)
- Norte do Egito

Os gipsy usam a nay e a rababa com a estrutura do baladi, incorporando o acordeon dos turcos em torno de 1700. As ghawazee são do norte do Egito, vindo da Turquia; porém atualmente, eles se concentram mais no sul, como em Luxor. A bailarina egípcia Fifi Abdo costuma representar um baladi mais ghawazee, que não é uma dança bem vista pelos egípcios. Ela representa uma personagem popular, a Marlena, que o bailarino egípcio Mahmoud Reda levou aos palcos com a dança meleah laff.

Os saaid são considerados os verdadeiros egípcios e sua dança, normalmente representada com “as-saya”, ou seja, bastão.

A bailarina egípcia Souhair Zaki é do norte do Egito e é a maior representante da dança baladi (da forma mais conhecida aqui no Brasil). Ela é especializada em Oum Kholsoum e baladi, tendo uma dança mais doce, mais introspectiva, mais típica do interior. Essa dança tem que parecer uma improvisação, porque ela é improvisada culturalmente! As egípcias usam tanto as mãos quanto o quadril, com pouco braço e o tronco mais parado que puder. Oitos e camelos são pequenos e os redondos são usados mais para deslocamento.

Quando o baladi é cantado, pode ser chamado de Shaabi, que é uma palavra árabe para folclore no Marrocos, porém no Egito, é uma dança urbana das classes D e E. São músicas que falam sobre o cotidiano dessas classes, muitas vezes, sobre temáticas pejorativas. Para representar um shaabi autêntico, não se deve estar preocupado em seguir a música, apenas dançar, sendo menos complexo possível, permitir-se. Os maiores cantores do estilo atualmente no Egito são Hakim e Saad el Soghayer.

Fifi Abdo com um delicioso baladi:

Aqui, Saida com um baladi mais moderno:

Maira Magno, com seu baladi inspirador:

Um baladi mais "folk", cantado por Fatme Serhan, por Samira:

Saad el Soghayer e a participação da Dina, em uma música de duplo sentido, óbvio:


Setembro/2011

Sobre Fusões com Dança do Ventre

Como fui criada com uma professora mais tradicionalista em termos de performances, durante meu tempo como aluna, não pude experimentar movimentos modernos ou até mesmo estudar fusões. Não acho que isso seja necessário para a formação de uma bailarina profissional em Dança do Ventre assim como não acho obrigatório o aprendizado de folclore árabe. São coisas conectadas, mas você pode escolher ser só bailarina de ventre. MINHA OPINIÃO.

Creio que por conta disso, eu tinha um pouco de preconceito com músicas modernas, pop árabe e fusões, porque não via muito sentido em misturar as coisas. Como não tenho formação em Dança Contemporânea, nem Ballet, nem Jazz, também acho que isso ajudou muito a construir uma opinião que eu tinha. Mas continuo sendo uma bailarina que vocês provavelmente não verão dançando fusões.

Mas o tempo passou e aos poucos, fui aceitando as danças modernas árabes e fusões. Acho que isso é uma evolução em termos profissionais, pois eu passei a ver beleza nessas performances. Mas, sinceramente, ainda é MUITO difícil ver fusões realmentes bonitas. O que quero dizer com bonitas? Fusões harmoniosas, que misturam técnicas das duas danças escolhidas, com figurinos e músicas apropriadas a uma fusão. A impressão que tenho é que a maioria esmagadora das danças com fusão apenas pensam na música e um pouquinho no figurino.

Para mim, uma fusão bem feita, é aquela que você vê que a bailarina se preocupou em estudar um pouco além da dança escolhida (além da DV) para incluir esses elementos de forma harmoniosa com a música, figurino e com os movimentos de DV propriamente dita.

Tem gente famosa que só porque pegou um tango, uma indiana ou um flamenco e dança como se fosse DV e mais nada, chamando aquilo de fusão e todo mundo acha que é uma fusão porque ELA fez aquela fusão.

Catei uns vídeos no youtubíu para exemplificar um pouco do que acho ser fusão bonita. Se eu estiver errada com conceitos, por favor, me avisem porque não entendo de Dança Moderna e afins. Minha opinião de hoje é reflexo de tudo que já vi e vejo em termos do que as pessoas chamam de "fusão".

Esse vídeo em termos de qualidade técnica, não achei grandes coisas até porque é realizada por muitas alunas, mas a idéia de Tango fusion que tenho seria o que elas mostram:

Apesar de não ter gostado assim tanto dos quadris dela, adorei esse "flamenco árabe". Linda música, bonito figurino e ela usou elementos das duas danças de uma maneira harmoniosa:

Caso discordem, por favor, escrevam. Tem gente muito mais entendida do assunto que eu.

Bauce kabir,


Hanna Aisha
hannaaisha00@gmail.com


Abril/2011

Fifi Abdo

Fifi Abdo (nascida Atiyat Abdul Fattah Ibrahim) é uma dançarina polêmica, considerada um ícone da dança do ventre no mundo todo. Nascida pobre, era até recentemente analfabeta! Ela é tão amada quanto odiada, no entanto definir a explicação para tamanha divergência de opiniões não é algo tão fácil!

Como dançarina amada, Fifi foi "eleita" por Hossam Ramzy como a melhor bailarina de dança do ventre que ele já conheceu. Por quê? Simplesmente nenhuma possui um carisma comparado ao dela, ela cativa, encanta, provoca, tudo isso apenas com cinco movimentos básicos da dança do ventr. Caímos então em "por que odiada"? Ela tem um dos vocabulários musicais mais limitados e repetitivos que uma dançarina profissional poderia ter: basicamente seus movimentos são oitos, redondos, shimmys, deslocamentos e o básico egípcio. Além disso, Fifi, em seus filmes, mostrava uma dançarina vulgarizada, mesmo angariando muito sucesso através deles.

Fifi começou sua carreira como dançarina aos 20 anos, dançando em casamentos. Três anos depois, em 1976, começou a atuar no cinema, principalmente explorando seus dotes como dançarina, tendo atuado também em teatros seguindo o mesmo estilo. A consagração veio em 1989, com o filme " Uma mulher não é suficiente " (que título precioso! uh!).

Além de provocar escândalo dançando, Fifi também teve uma vida movida a polêmicas, as quais se justificavam como "jogadas de marketing" de seus empresários. De qualquer forma, para uma mulher muçulmana, Fifi realmente representou a ousadia: se casou cinco vezes (tendo duas filhas) e por sua vida incomum teve problemas constantes com as autoridades muçulmanas, passando quase tanto tempo nos tribunais quanto no palco. Em 2002, ela propôs a criação da Primeira Associação Formal de dançarinas do ventre do Egito, mas teve sua ideia rechaçada sob a alegação de que isto "seria o mesmo que legalizar a prostituição".

Ao mesmo tempo, Fifi é conhecida por suas obras de caridade e por sua generosidade, mantendo financeiramente mais de 30 famílias pobres. A verba para se manter e ajudar aos necessitados provém ainda da sua dança (ela cobra US$5.000 para dançar 15 minutos em hotéis 5 estrelas!!), pois aos 55 anos Fifi permanece dançando, atividade que ela pretende continuar enquanto puder, pois por mais que em seu país a dança do ventre não seja valorizada, Fifi defende que é uma arte e é parte da herança egípcia.


Janeiro-Fevereiro/2011

A Busca da Perfeição na Dança do Ventre

Quando dançamos num concurso, numa festa, numa mostra de dança, o que buscamos alcançar? A glória, a fama, elogios, alegria, sensação de ser útil ao mundo, ou superação dos nossos próprios limites? Creio que cada um tem seu motivo pessoal para dançar, e mais ainda para se apresentar como uma verdadeira representante da dança do ventre, mas esse esforço é pela arte ou para si mesmo?

As dançarinas cada vez mais buscam se aprofundar, e isso é muito bom. Vejo cada vez mais pessoas preocupadas em entender a música que estão dançando, não só a letra dela, mas a melodia, o ritmo, a sua construção, e buscando expressar isso de forma catártica, uma entrega que vemos nas artes, como o ballet, o flamenco, etc. Existem pessoas que não fazem nada disso e mesmo assim querem aparecer? Claro que sim, infelizmente na dança do ventre elas ainda são a maioria, mas o impulso em aperfeiçoar a técnica parece estar ganhando a cada dia mais seguidoras, o que me faz pensar que a dança do ventre se encaminha para se tornar uma verdadeira arte.

Mas nessa ânsia em se aprofundar, vemos algo que foge um pouco dessa exaltação que toda arte traz em si: o sentimento. As bailarinas andam tão preocupadas em saber ler tecnicamente a música, que a dança não é mais que bonita. Ela não toca, não produz eco. A perfeição é perseguida, mas só em uma margem do rio, que é aquela que com empenho se adquire, mas o talento, onde está? Talento para mim não é só saber fazer de forma graciosa os passos, mas dar sentido a eles, como se fossem palavras, é o famigerado sentimento.

E o que vemos de sentimento por aí? Sinceramente? Um monte de caretas !!!! Toca um taqsim, o semblante se fecha, parece que o cérebro mandou a mensagem: " dor de barriga ", e não porque a dançarina realmente está compreendendo o que aquele instrumento está querendo dizer.

Não é puramente fingir um sentimento, mas se você conseguir assimilar que aquele violino, que aquele qanoun, estão te falando de algo que te emociona. E olha isso é difícil, ô! Essa é a grande meta da perfeição!

E tem essa também!! O que é ser perfeita? Não quero favorecer a ditadura da dança do ventre, como muitos alegam por aí que anda amordaçando a livre expressão e a verdadeira essência da dança do oriente, mas sejamos coerentes: ser livre para criar seus passos, lindo! Ser livre para dançar baladi com um khaleege... Nãããão!! Gente, cultura, beleza? Você não pode passar por cima da própria construção cultural do ritmo e da música! E onde entra a perfeição? Sinceramente: não sei. É um dos meus dilemas atuais. Eu fico com a definição de perfeição platônica: é aquilo que toca a minha alma, porque me faz lembrar do verdadeiro lugar de onde ela veio. Perfeição, portanto, é aquilo que me emociona.

E para fechar uma poesia de Ibn Hazm que me parece "perfeita" para esse momento:

Pertences ao mundo dos anjos ou ao dos homens?
Diz-me porque a confusão zomba do meu entendimento.
Vejo uma figura humana, mas se uso da minha razão
acho que o teu corpo é um corpo celeste.
Bendito seja O que equilibrou o modo de ser das suas criaturas
e fez que por natureza fosses maravilhosa luz.
Não posso duvidar que és um puro espírito atraído a nós
por uma semelhança que enlaça as almas.
Não há mais prova que ateste a tua encarnação corporal
nem outro argumento de que eras visível.
Se os nossos olhos não contemplassem o teu ser, diríamos
que eras a Sublime Razão Verdadeira.


Dezembro/2010

O Dilema dos Figurinos de Dança do Ventre

Cada vez mais o figurino de dança do ventre tem sido um quesito com maior peso para a qualidade da dançarina... Eu disse qualidade? Pois é, isso mesmo! Estar com uma roupa de dança do ventre considerada bonita é quesito para concursos e provas de seleção! E o quesito luxo é de longe um dos mais cotados para essas avaliações.

Falar sobre isso me lembra um post antigo da Amar El Binnaz, no qual ela levou sua turma para concorrer numa mostra de dança (se não me engano), e como elas não tinham condições financeiras de arcar com no mínimo R$200 para comprar um figurino, foi roupa da 25 de Março mesmo (ou o Saara como chamamos no Rio). Sabe o que disseram na avaliação? Que fantasia não era figurino de dança do ventre!! Peraí, agora só quem pode pagar por uma roupa sinistrona que pode concorrer num evento de "dança"? Ou seria um evento de moda?

Bem, fato é que um figurino bem trabalhado "causa", e além disso uma roupa que realça seus pontos positivos e atenue os negativos chama a atenção dos espectadores, e te deixa mais confiante. Mas ela não é nada se compararmos à importância da dança, desde que a roupa não atrapalhe sua evolução ou te faça parecer uma árvore de natal ou uma mulher da vida, por que não lançar mão da simplicidade? Alguns critérios parecem tão sem sentido na avaliação dos figurinos, que nos perguntamos se a dança não fica num segundo plano. Um exemplo: uma colega minha recebeu nota baixa porque a saia estava justa na bunda! Sinceramente, o que isso atrapalha a dança dela?

A minha amiga Lina Basimah tem um talento nato para a costura, e ela mesma faz suas roupas de dança do ventre. Ela sabe distribuir bem as pastilhas, lantejoulas, paetês e gasta bem menos para fazer tudo isso! Ela não precisa pagar mil reais para ter uma roupa bonita que a faz se sentir bem e valoriza seu corpo. Ah sim, a dança do ventre expõe nosso corpo, nossas curvas, até porque os movimentos fazem com que as pessoas tenham sua atenção voltada para ele. O figurino precisa nos adornar, não somente nos cobrir, o que não importa é se ele é feito com diamantes ou com vidrilhos!

Obviamente a condição de cada uma não é igual, entretanto vale mais a pena você ter uma roupa com um material mais resistente que também fará dela mais durável, só acho um tanto fútil pensar que só se gastando os tubos se poderá ser uma dançarina do ventre de qualidade. Outro exemplo: ano retrasado comprei uma roupa luxuosa de dança do ventre num ateliê, fui toda poderosa para um evento, chegando lá, ao me olhar no espelho tinha um guria com a mesma roupa que eu!! Ahhhh! Pode parecer besteira, mas imagina você com o mesmo vestido de festa que outra pessoa desconhecida? Eu gastei R$700 para ter uma roupa com diversas cópias espalhadas por aí!

A solução para mim seria: vamos aprender a bordar!hehehe. Mas como eu não tenho paciência e talento para isso, e sei que muitas também não tem sequer tempo, acho que podemos ao menos refletir se não estamos supervalorizando o luxo nas roupas de dança do ventre, em detrimento da simplicidade com qualidade. O nosso visual tem que envolver as pessoas, mas de repente um corte diferente, um tecido mais adequado, materiais equilibrados e aquela costureira amiga poderiam dar um resultado muito bonito e melhor: exclusivo! E claro: a dança em primeiro lugar! Afinal, o que importa mais é a embalagem ou o que há por dentro?


Outubro/2010

Leques de Seda - Fan Veil

O leque de seda para a dança do ventre, além de acessório, é a marca de uma fusão com a cultura sino-nipônica. Alguém já viu "O Clã das Adagas Voadoras", a dança chinesa DunHuang? E também já viu a dança do leque japonesa, conhecida como Odori? O leque de seda seria uma combinação dessas duas danças com a dança do ventre. Interessante, não?

E quem nunca viu um leque de seda? Ele é a última moda entre as dançarinas do ventre! E quem viu uma boa coreografia com ele? Hummm, pois é... Grande problema, tão belo e tão poucas pessoas sabendo usar!

Eu acredito que muitas dançarinas ficam encantadas com a beleza dele, com o efeito que ele dá. A impressão que temos é que ou a bailarina não consegue unir dança do ventre com o leque de seda, ou então até consegue, mas o leque fica naquela mesmice, e em alguns minutos todos já estão enjoados dele.

É importante lembrar que por mais lindo que seja este leque, ele sozinho não faz a apresentação. Ele está no mesmo patamar que o véu wing, enche os olhos à primeira vista, mas se a dançarina não souber o que fazer com ele, vai deixar a sua performance no mínimo monótona, para não dizer sem-graça mesmo. Usá-lo para inovar é muito interessante, mas antes é preciso aprender a manuseá-lo!

Como dica fica o vídeo da dançarina russa Yallar, vamos nos inspirar nela: http://www.youtube.com/watch?v=sZPzy7BUSYk


Setembro/2010

Boas Dançarinas ou Dançarinas Boas?

Uma das coisas que mais me decepcionam na dança do ventre é a hipocrisia do corpo perfeito. Cara, eu entendo meeesmo, que no palco, num restaurante, as pessoas não querem ver pessoas "fora do padrão de beleza", mas daí colocar pessoas sem talento para dançar só por causa de um corpo bonito, me poupe, não é?

Talvez o público nem perceba, e aí está o grande trunfo: a dançarina é leve, mas executa os movimentos errados, braços tortos, não reconhece os ritmos, parece o tempo todo estar desfilando. Que importa aos olhares leigos? Ela é bonita, e isso basta. Mas nós que não estamos cotadas no conceito de beleza atual, que importa se dançamos bem? Uma ou outra pessoa pode perceber nosso talento, mas a maioria não. E pior: nós podemos estar na televisão, no palco, no restaurante, dançando maravilhosamente bem, o que todos estarão olhando? O nosso corpo. E quantos não estarão debochando de nós? (Digo isso por um vídeo que encontrei no youtube de uma dançarina com um quadril seco perfeito, mas gordinha, e as pessoas trataram de filmar a televisão e postar no youtube a dança da menina juntamente com o áudio dos seus risos debochados).

A minha revolta só bate de vez em quando, tem dias que estou bem conformada, deixo para lá, não vou me esforçar em dar "pérolas aos porcos ". Eu danço para quem possa apreciar qualidade técnica, amor à arte, eu danço com a alma, quem me vê dançando, sempre comenta isso. Mas quem do grande público poderia notar? Das vezes que dancei em festinhas para amigos, de calça jeans, sem qualquer preparo ou coreografia, eu sempre fui muito bem recebida. Algumas vezes, as pessoas vinham falar comigo, elogiar, pedir informações para mim que tinha se empolgado com a música, e não tinha aparecido só para dançar. Acho isso muito válido, fico lisonjeada por "roubar a cena" sem querer, mas isso incomoda muita gente, especialmente quem acha que as gordinhas deveriam ficar em casas trancadas, se lamuriando por não ter um corpo esquálido e sem curvas.

Mas e as magras sem talento? Têm váááários vídeos no youtube delas, os comentários são sempre os mesmos: "você é linda, gostosa, charmosa, etc", quem diz: "nossa, quero dançar assim?". Quer dizer, até tem, mas logo você percebe que quem diz isso não sabe lá muito de dança do ventre. E nas festas em que essas mulheres lindas dançam? Coloque uma que dança bem ao lado dela, e olhe bem atentamente: por incrível que pareça, muita gente "leiga" vai notar de imediato que a lindinha não sabe dançar tão bem assim. Infelizmente eles precisam de parâmetros para perceber isso, e como não vamos dar um workshop de dança do ventre em toda apresentação, fica para quem consegue olhar além de um belo corpo.

Críticas à parte, é claro que não há somente dançarinas sem talento, óbvio que não! Temos inúmeras belas dançarinas que entretem um público que não faz parte do meio e são super talentosas, como a Virgínia Njainne, Serena Isthar, Sara Caldas, entre outras. Existem locais em que as dançarinas são escolhidas a dedo, mas em outros... Bem, nesses nosso apelo é que escolham boas dançarinas, não dançarinas "boas"! Sabe, o público não merece ser iludido com uma imagem deturpada da dança do ventre, com alguém que não é a sua melhor representante. Ok, as pessoas - até aquelas que não estão em forma - irão torcer o nariz para uma dançarina gordinha, ou em qualquer estado que não seja o famigerado "mulherão que merece viver e reproduzir", ok, coloque a bela dançarina, mas que ela realmente saiba dançar e encantar por seu talento. Acho que muita gente acha a dança do ventre chata e desinteressante porque só tem contato com essas moçoilas que só prendem a atenção na sua bela aparição, a dança sai quase como um esforço desesperado de parecer interessante, o que não é: a dança do ventre não é só um corpo, existe toda uma técnica envolvida. Já dizia o velho ditado: "Beleza não põe mesa", vamos lá encher os olhos do público com a arte da dança do ventre em seu mais puro talento.


Agosto/2010

A Origem das Odaliscas

A imagem das odaliscas é um grande estereótipo da dança do ventre. Mas quem eram estas mulheres? E por que a dança do ventre se relaciona com elas? Primeiramente, o termo odalisca é recente, aproximadamente do séc. XV, antes de serem denominadas "odaliscas", o nome que definia a sua presença na sociedade árabe-islâmica clássica era outro: Jawari (no Egito chamadas de Awalim).

Jawari é o plural de Jariya, que quer dizer, serva. Esta serva poderia possuir duas funções: poderia ser responsável pela casa e pelas notícias da vizinhança, ou poderia ser uma qina, isto é, uma serva para entretenimento, principalmente para cantar. A Jariya que soubesse cantar era disputada no mercado, o que acabou a tornando um artigo de luxo de príncipes e ricos comerciantes, gradativamente alterando seu conceito de "serva" para "concubina".

Eram as Jawari que constituíam os haréns dos sultões, que dançavam, cantavam e conversavam sobre filosofia e poesia para entreter seus senhores. Vários sábios árabes a descreveram em seus livros, como Nafzawi, Al-Jahiz, criando em sua imagem toda uma atmosfera de encantamento e sexualidade. São nos contos sobre as Jawari que surgem os casos de homoerotismo feminino, o que chamaríamos hoje de lesbianismo. Para os muçulmanos clássicos, as mulheres só poderiam se sentir atraídas sexualmente umas pelas outras se estivessem em haréns, o local onde as Jawari viviam ao lado de todas as mulheres da vida do sultão (mãe, filhas e esposas legítimas).

O harém não representava um local voltado para o sexo, mas um local de convivência secreto, onde somente o senhor e os eunucos que o guardavam poderiam ter acesso, sendo dirigido pela mãe do sultão.

As Jawari não eram muçulmanas, mas sobretudo cristãs, capturadas em guerras ou pilhagens, e vendidas nos mercados. A concubina que se convertesse ao islamismo, deveria se casar, seja com o seu senhor ou com outro designado por ele. A partir do séc. XVI, mesmo aquelas não convertidas poderiam sair do harém e se casarem com homens escolhidos por seu senhor, caso fossem dados como terminados seus serviços ou se nunca tivessem sido requisitadas pelo sultão.

Ainda assim, a condição das Jawari não era das melhores. Diferentemente das Ghawazee, as Jawari eram escravas, não possuíam liberdade ou representação social. Elas ainda poderiam ser compartilhadas por co-proprietários ou mesmo vendidas sucessivamente a novos donos. Para as concubinas comuns, a única forma de conquistarem algum direito era em caso de se tornarem mães (um al-walad), o que lhes garantia a estabilidade ao lado de um único proprietário pelo resto da vida. Já as concubinas do harém poderiam ter a chance de possuírem alguma posição no mundo exterior, porém era muito raro de acontecer. Em ambas condições, por mais que as Jawari não tivessem qualquer controle de sua vida, elas exerciam grande influência sobre seu senhor, algo que pode ser exemplificado pelos diversos discursos que apontam o harém como um local de intrigas e conspirações.

No Império Turco Otomano, as Jawari passaram a ser chamadas de odaliscas (algo como camareiras). O termo odalisca passou também a abarcar aquelas que não eram propriamente concubinas, algo semelhante ao conceito inicial de Jariya. Aquelas que eram belas ou que tinham algum talento para dançar ou cantar, eram treinadas para se tornarem amantes do sultão. Se fossem bem sucedidas na sua arte de sedução, ou como cantoras ou dançarinas, poderiam ganhar algum status fora do harém, sendo utilizadas até mesmo para dar as "boas vindas" aos visitantes do Império.

A partir do séc. XIX, quando as nações européias passaram a comercializar seus produtos industrializados e a mesmo industrializar os países árabes, as odaliscas tiveram quase um papel diplomático, ao representarem a hospitalidade dos sultões através de seus corpos e de sua dança. A dança do ventre encantou profundamente os imperialistas europeus, que fascinados, passaram a exportar para a Europa algo como um show de cabaret, primeiramente na França sob o nome "Danse du Ventre", nome este que passou a designar toda essa modalidade de dança no mundo ocidental (o nome original é Raqs Sharqi, que quer dizer, Dança do Oriente).

Assim, nada mais justificável que a imagem da dança do ventre fosse representada por tantos anos como a concubina bela e sedutora, a odalisca. No mundo árabe, a dança do ventre como entretenimento só era desempenhada por Ghawazee ou Jawari (Odaliscas), isto é, por prostitutas ou concubinas, e é por isso que a dança do ventre não é vista com bons olhos por lá. Atualmente, muitos países usam a dança do ventre com papel turístico, como o Líbano, o Egito, a Turquia, mas para muitos árabes, a dança do ventre está longe de perder a sua imagem de promiscuidade.

Existem danças folclóricas festejadas por grupos étnicos, danças que chegaram até nós, como o Falahi, o Baladi, entre outros, mas que eram desempenhadas por camponeses em ocasiões festivas. Esses folclores foram incorporados ao que chamamos no Ocidente de Dança do Ventre, mas eles eram atividades distintas das praticadas no haréns e nas ruas pelos Ghawazee.

A impressão deixada nos europeus pelas odaliscas pode ser conferida pelas diversas pinturas que encontramos até mesmo no Google. Pintores como Jean Auguste Dominique, Vicenzo Martinelli e Fabio Fabbi retrataram o imaginário europeu do que seria o harém, obras de erotologia árabe foram traduzidas, se iniciou o movimento que chamamos de "orientalismo" (o Oriente como algo envolto em misticismo e encantamento, como "o outro").


Julho/2010

A Música Clássica na Dança do Ventre

De todas as músicas árabes disponíveis para nossa criatividade na dança, a música clássica é aquela que "não basta ser um rostinho bonito" para dançar. Se preparar para dançar uma música clássica é sobretudo estudar!! Sabe toda a nossa preocupação em passar ritmos, instrumentos musicais, dicas de professoras? Você pode usar estas dicas para uma outra finalidade, mas todas elas são necessárias para se dançar corretamente uma música clássica. As clássicas necessitam de ouvido atento (e afiado), conhecimento da sua estrutura, dos seus pormenores: hora de deslocar, de parar, de usar o véu e de soltá-lo, hora para tremer, para ondular, para pular, etc. A criatividade fica para os inúmeros passos que podemos explorar em cada momento, mas não para reinventar uma nova forma de interpretar os momentos da música.

Mas meninas, não pensem que isso é ditadura cruel das dançarinas do ventre, de um grupinho que está no topo. Não podemos sambar no frevo, não é? Ou dançar valsa no tango! Esta é a estrutura formada para que as dançarinas leiam todos os instrumentos da música, a função da dançarina é justamente expor essa harmonia entre melodia e percussão em 3D (como diria Hossam Ramzy). Para isso, vamos explicar por tópicos basicamente o que temos que nos atentar:

  1. Introdução da música: NÃO DANCE!! Sequer apareça em frente ao público (já vi bailarinas paradas como estátuas com a mão na cintura ainda, que horror!). Esta é a apresentação da banda, por mais que ela não esteja ali fisicamente, esse momento não foi feito para a dança, mesmo que você ache lindo de morrer.
  2. Chamada da Bailarina: Ela pode ser longa ou só um floreio rápido. Fique atenta, uma variação da melodia de introdução é a chamada da dançarina. Geralmente ela vem após a percussão iniciar o ritmo da entrada.
  3. Entrada: Nesse momento, o ritmo inicia puro, sem melodia, quando a melodia entra junto com ritmo, é a hora de entrar com deslocamentos ou andando (se o ritmo for o Vox , por exemplo). Mas caso você não conheça a música e não queira sair esbaforida, conte até 4 e entre no 5. É meu segredo: eu conto!hehe. A música árabe tem 2, 4 ou 8 tempos, normalmente, ou seja, ela "vira" após essa contagem, o que marca um novo momento da música. Comigo até hoje deu certo!
  4. Baladi: Chamo de baladi , mas pode ser um saidi sem mizmar (cornetinha). Esse é o momento para parar de deslocar, e marcar com um básico egípcio. Só posso fazer básico egípcio? Bem, ele é o sinal que você reconheceu o ritmo, e num concurso ou numa prova isso é fundamental. Essa é a hora de largar o véu , se estiver com ele na entrada.
  5. Variação: Bem, a partir de agora a música vai variar não necessariamente na mesma ordem. Podemos ter um Taqsim (quanoun sempre se treme, alaúde se for dedilhado; instrumentos de sopro se ondula, com exceção do mizmar); um folclore (said com mizmar é Saidi! Pule, faça gracejos; soudi se dança khaleege; ayoub puro - sem melodia, só percussão - é zaar , baixe um santo) ou podemos ter um ritmo de deslocamento (malfuf, vox, ayoub, masmoudi "caminhando" com 3 DUM) acompanhando a melodia alternando entre um momento e outro da música.
  6. Finalização: A melodia da introdução vai se repetir, podendo vir mais acelerada. É hora de girar - perto do final - e montar a sua pose de diva.

Isso aí é um "basicão" que geralmente se aplica à maioria das músicas. Existem músicas como Shirin, por exemplo, que a entrada só termina no minuto 2:40, aproximadamente, mas existem várias variações ainda dentro da entrada! Para essas "pegadinhas" é preciso ouvir as músicas, quase memorizá-las, hehehe, especialmente se for do seu interesse se formar para dar aulas ou fazer concursos. Essas coisas a gente aprende perguntando, lendo, fazendo workshops, por isso é fundamental procurar se informar. Já vi muitas professoras "assassinando" músicas clássicas, coisa de dar dó. A aluna que está ali geralmente como "receptora", não consegue perceber que está aprendendo errado, aí vai lá pular no saidi, e só! Não lê os instrumentos melódicos, que nos indicam como variar nossos movimentos, nada de ficar na percussão, ela só indica se é para andarmos ou ficarmos paradas; entra na apresentação da banda, ignora os folclores "desconhecidos". Estudar é necessário, vamos nos empenhar para trazer técnica e qualidade à dança do ventre.


Junho/2010

Dança do Ventre em Restaurantes: Divulgação ou Depreciação?

Tenho visto muitos vídeos no youtube com dançarinas se apresentando em casas de chá, eventos não exclusivos da dança do ventre, restaurantes, etc. De todos, este último tenho minhas ressalvas, pois percebo algumas coisas que me deixam chocada! Obviamente não é em todos os vídeos, mas em alguns a gente percebe a total falta de educação da plateia com a dançarina... Cadê o respeito às dançarinas do ventre ?!

A mais evidente delas é a falta de atenção. É a mesma dispendida aos músicos que tocam ao vivo, o cara canta, se esgoela, atende aos pedidos mais bizarros, aquelas músicas do tempo do "ronca" (gírias que demonstram a idade, ai ai ai), quem aplaude ao pobre? Claro, se é O cantor, A cantora, muita gente para, faz fila, canta junto, mas aquele desconhecido por mais talentoso que seja ocupa o mesmo lugar do barulho ao redor, ou melhor, disputa com o barulho! A dançarina entra no restaurante para se apresentar, mas se o estabelecimento não organiza a sua entrada, não monta um momento para ela, a bendita entra no meio das pessoas que estão circulando, literalmente cutucando as costas dos outros para que lhe deem passagem, dança com os braços recolhidos, com medo de dar um tapa na cara de algum garçom ou transeunte, quase não ouve a música que está dançando, porque as pessoas passam a gritar para conversar, e ela fica lá contando eternamente os minutos que faltam para ela sair da frente das pessoas. No final a qualidade de sua apresentação não fará tanta diferença, porque os poucos que param para vê-la, perdem logo o interesse, pois nem ela mesma consegue se concentrar na sua dança. Para se ter uma ideia do problema, eu já vi uma coitada no Habib's dançando e tentando fingir que nada estava acontecendo, enquanto uma criança atirava toda hora uma bola na sua cabeça... E quanto aos engraçadinhos? Eles acham que estão assistindo a um show de strip-tease, e as dançarinas tem que ficar se esgueirando para não serem alvo de nenhuma mão boba, ou de palavras indecentes!

Eu comento isso com uma dor no coração, por mais que seja um tanto exagero de minha parte (afinal, muitas dançarinas, especialmente aquelas que postam vídeos deste "fracasso" no youtube, não conseguem perceber o descrédito que passaram), mas eu sei que muitas ficam decepcionadas ao passar por uma situação dessa. A minha mãe é tecladista, e eu ficava muito triste quando a via estudar um repertório com afinco, escolher músicas, tocar e cantar várias horas em ambientes que sequer percebiam a sua presença. Eu fiz questão de nunca me submeter a isso, e numa atividade que tanto gosto e prestigio que é a dança do ventre, fico da mesma forma ofendida com a falta de educação alheia, como se tivesse acontecido comigo!

Por isso, meninas, não percam a esperança! Quem já se sentiu idiota, uma horrorosa, em dançar e ser completamente ignorada ou ofendida, não pense que a culpa é sua! A melhor forma é escolher a sua audiência, e não sair dançando em qualquer lugar, valorize-se! Eu sempre digo para as meninas que a primeira apresentação se faz entre amigos, a família também nos ajuda a perder a vergonha, mas não saia dançando em qualquer buraco, se assegure que ao menos o ambiente dará o seu espaço para se apresentar.

Alguns restaurantes árabes oferecem apresentações de dança do ventre para entreter seus clientes, como é o Al Khayam no Centro do Rio de Janeiro e o Arab em Copacabana. Neles as dançarinas são respeitadas, tem seu momento para dançar, ainda que não dê para impedir que pessoas entrem no restaurante e os garçons deixem de circular. De qualquer forma, a gente percebe que o local se organiza para a dançarina, e ela não fica perdida no meio dos clientes. Além disso, "não prestar atenção" é direito de quem está no restaurante, a dança pode não cativar a todos, mas é exatamente a organização do lugar que fará com que a dançarina não seja incomodada ou atrapalhada em sua apresentação.

Eu não vou colocar aqui os vídeos em que uma dançarina é terrivelmente ignorada ou assediada, pois acho que seria mais feio ainda para mim divulgar o mau momento dos outros. Quem já passou por isso, que perceba e passe a escolher melhor onde dançar. Ao invés disso, vou colocar um vídeo de quem arrasou dançando num local público. Palmas para a dançarina e palmas para o público que assistiu a ela!

Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=4sJ54BErQBs


Maio/2010

Dança do Ventre e Autoestima

Pensando no que a Jarid disse (uma pessoa que tem uma vida emocionante na Índia, e é linda, ainda que seja modesta ao admitir isso...), quantas de nós realmente nos sentimos o tempo todo lindas , maravilhosas, gostosas, divas?! E o que a dança do ventre realmente nos traz?

Eu acredito totalmente nos benefícios da dança do ventre para nossa autoestima , para nos transformar de um bichinho sem graça numa pessoa mais confiante, mesmo que seus efeitos não sejam iguais para todas.

Uma das melhorias que minha família mais reparou foi na minha postura. Eu sempre fui muito tímida, andava toda curvada, mas quando comecei a dançar, além da postura, a minha forma de andar melhorou bastante. E ainda aprendi a esquecer todas as minhas neuroses dos padrões de beleza ao ouvir a música, ao dançar. Ali eu sou a Célia, não a gordinha, não a fofinha, não a bonitinha. Eu estou além de uma classificação hipócrita de beleza .

Acredito que o impacto da dança do ventre na nossa vida seja mais nitidamente percebido por quem está ao nosso redor. Eu consigo agora estar num dia radiante e atrair olhares e elogios, mesmo não sendo a Gisele Bündchen, mesmo sem intenção. Antigamente quando eu andava na rua, se alguém olhasse para mim, eu achava que devia ter algo errado na minha roupa, no meu rosto, eu devia estar com uma marca de pasta de dente no canto da boca, só podia ser! Não podia achar que um ser poderia me achar bonita , como achar uma gorda bonita? Algumas neuras ainda existem, pois ainda pesa o estigma da beleza esquelética , eu posso estar arrumada, cheirosa, sorridente, alguém vai falar "só falta emagrecer...". Ou seja, eu gorda sou digna de pena por não ser magra... Mundo cruel...

Só que quando entro numa aula de dança do ventre , posso ver uma ou outra "modelo de capa de revista", outras bem fora do padrão de beleza como eu, porém todas estão no mesmo barco, às vezes as "belas" muito menos sensuais que as "feias", reduzindo o espaço que o preconceito poderia ter. Para aquele movimento sair perfeito, eu tenho que ir além da minha baixa autoestima, buscar aquela sensualidade no fundo da minha alma para expressar na dança , e isso de forma inconsciente, para que a minha cabeça não me condene por achar que há em mim uma incapacidade nata de ser atraente . Esse exercício contínuo vai se acumulando no meu subsconciente, mesmo que eu tente, eu não consigo mais anular completamente a minha feminilidade . O "belo" passa a fazer parte de mim, e eu deixo de ser um estereótipo de "feia mal-amada", para acreditar que a sensualidade está além do meu corpo .

Como já comentamos, o mundo artístico da dança do ventre clama por corpos definidos, mulheres "perfeitas", pouco vemos dançarinas famosas que estejam fora desse padrão. Mas não vamos mudar o mundo com algumas palavras, infelizmente nessa discussão não encontro quem concorde comigo, para todos, no palco, as dançarinas precisam ser visualmente belas. Mas enquanto isso nas aulas , todas, magras e gordas, culturalmente belas e feias, venham, venham dançar e encontrar o melhor que a dança do ventre pode oferecer: não paetês, strass e medalhinhas, mas confiança, autoestima e vaidade (a boa, é claro).


Abril/2010

Maquiagem: Olhos Árabes

Muitas dançarinas sabem o quanto um olhar marcante é importante numa apresentação! A dançarina se destaca, não só com os movimentos sinuosos do corpo, mas com a expressão do olhar, que deve ser atraente para quem a assiste. Para causar esta impressão cativante, a maquiagem é fundamental, pois os olhos bem traçados e pintados acendem todo o rosto da bailarina, e dão o quê a mais no seu figurino.

Dentre as variedades de maquiagem, temos os famosos olhos árabes (também chamados de "dramatic make-up"), aqueles que prendem a atenção de qualquer um. Quem nunca quis fazer uma maquiagem assim, e ficou com o olhar carregado, parecendo borrado e não pintado? Ou então que passava desapercebido, como uma maquiagem comum? Pois então buscamos os passos para quem quer aprender a fazer uma maquiagem marcante e digna de se chamar "árabe".

Primeiramente, para obter o olhar árabe temos três dicas básicas:

1 -
Lápis preto! O delineador pode ser substituído por lápis quando se esfumaça, o importante é marcar ao redor dos olhos. Quem tem olhos pequenos - como eu! - deve passar lápis bege por dentro e o preto só por fora!!

2 -
Pincel chanfrado! Sabe aquele traço embaixo do olho? Deu errado com lápis? Não tem mão firme? Eis que surge o pincel chanfrado juntamente com a sombra preta! Ele vai tornar o traçado mais natural para quem não tem habilidade, e serve também para delinear sombrancelhas, criar uma divisão entre o côncavo dos olhos, mil e uma utilidades!

3 -
Iluminador (de preferência) ou corretivo !! Os olhos árabes precisam se destacar, e o contraste se dá pelo efeito do iluminar entre o côncavo dos olhos e as sombrancelhas e embaixo dos olhos depois de tê-los pintado.

Com essas três dicas, seu olhar árabe será muito mais bonito, podes crer. O efeito desta maquiagem está exatamente em mostrar o olhar denso em contraposição ao resto do rosto, leve, claro e limpo.

Vocês já sabem as regrinhas da maquiagem perfeita (rosto limpo, corretivo e base para os defeitos), depois de tê-las utilizado, devemos partir para os olhos, marcando-os com o lápis, (embaixo seguindo a linha dos olhos usando o pincel chanfrado com sombra preta, se preferir), e em cima podendo usar o delineador.

Uma dica para escurecer bem o olhar, é passar o lápis nas pálpebras (como se fosse o delineador) e depois torná-lo uniforme com o pincel chanfrado; dessa forma o olho parecerá delineado de forma contínua. Na sombra, deve-se espalhá-la respeitando a linha do côncavo do olho, pois acima deve-se passar o iluminador ou uma sombra de cor clara ou próxima a cor da sua pele para evidenciar o traçado nos olhos.

Por fim, rímel a rodo, isto é, rímel até seu cílio dizer " Chega! Sua louca! ", passando de baixo para cima, procurando alongá-lo. Para quem puder, curvex e cílios postiços dão ótimos resultados!

Atenção: As sombrancelhas são importantíssimas para compor esta maquiagem!! Devem estar feitas e bem marcadas, com lápis ou com sombra com pincel chanfrado (já perceberam que adoro esse pincel, né?). A linha da sombrancelha é fundamental para dar equilíbrio ao olhar, para deixá-lo imponente.

Claro que existem variações muito mais elaboradas para um olhar árabe, o que escrevi é só o básico do básico, para pelo menos se ter uma ideia de composição do olhar. Depois, a imaginação e os tutoriais do youtube levam a várias novas maneiras de criá-lo e recriá-lo! Que tal testar em casa? Para a sombrancelha recomendo o duo perfect da Contém 1g e como sombra a Vult! Seu rosto e seu bolso agradecem!


Célia Daniele
Dança do Ventre Brasil


Nefertiti, a sua loja de Dança do Ventre Rio de Janeiro / RJ
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Obs.: Não temos endereço comercial físico para atendimento a clientes.